1 de ago. de 2008

GESTÃO DE PESSOAS: O NOVO PAPEL DO TRABALHADOR

Desde a Revolução Industrial a concepção do trabalho humano evoluiu muito e o trabalhador, cada vez mais, deixa de ser uma simples “peça do maquinário” para se tornar um “capital intelectual”, ou trabalhador do conhecimento.

Primeiro veio a mecanização da estrutura de produção que proporcionou alterações significativas para o trabalhador (passou a ser operário) e para os empregadores, donos dos meios de produção, que se tornaram fiscalizadores do trabalho.

Em busca do aumento de produção, Frederick Taylor estudou os movimentos e o tempo gastos pelo trabalhador para executar a sua função e, a partir daí, desenvolveu a Organização Racional do Trabalho. O objetivo das organizações era conseguir produzir mais, no menor tempo e com o menor custo. Tudo isso aplicado às linhas de montagem, em que o trabalhador representava apenas uma peça da engrenagem.

O conhecimento do trabalhador era limitado à execução de sua função, que normalmente envolvia apenas uma, no máximo duas, atividade. Fazia parte de um processo, sem entender “o que era” e “qual seria o seu resultado”.

Para as empresas isso representava redução de custos com treinamentos e menor possibilidade de problemas – quanto menos atividades, menor probabilidade de erros.

No entanto, o resultado foi bem diferente: cansaço, fadiga, estresse, problemas de saúde, aumento da rotatividade de funcionários e, conseqüentemente, aumento de gastos e queda de produção.

O filme "Tempos Modernos", de Charles Chaplin, exemplifica bem a situação do trabalhador na época. Em uma cena, mostra o trabalhador que, após ficar o dia inteiro apertando parafusos, sai pelas ruas, com sua ferramenta em mãos, apertando qualquer coisa que aparecesse em sua frente.

Com o fortalecimento do sindicato e a difusão de ideais socialistas começam a aparecer as primeiras mudanças – passam a pensar no trabalhador como ser humano e na importância de conhecer as suas necessidades para motivá-lo a conseguir melhores resultados. Impulsionadas por mudanças políticas, econômicas e sociais, as organizações passam a repensar também sua estrutura, sua relação com os ambientes interno e externo e a forma de gerenciar.

Surgem novas tendências na área da administração, como a Gestão com Qualidade Total, Organização Inteligente, Reengenharia, Governança Corporativa, processos de certificação, responsabilidade sócio-ambiental. Essas transformações, aliadas à globalização e ao advento de novas tecnologias (rádio, TV, Internet, entre outros), mudam também a relação do homem com o mundo e, conseqüentemente, a sua concepção de trabalho.

Agora não mais o trabalho é medido pelo tempo e quantidade da produção. O acesso à informação, o conhecimento especializado e a competência (saber ser e fazer) tornam-se requisitos de acesso do homem ao trabalho.

O novo trabalhador, chamado de trabalhador do conhecimento ou capital intelectual, passa a conhecer todo o processo (ou grande parte dele) e tem o “poder” ou a possibilidade de interferir sobre ele. Isso porque, a liderança (chefe) deixa de ter a função de somente supervisionar e ser responsável pelos erros de seus subordinados.

O novo líder, tem a função de servidor, na medida em que conhece, compreende, participa do processo e entende as necessidades daqueles que trabalham ao seu lado. Desta forma, deixa de ser somente um elo entre o subordinado e a diretoria.

Por outro lado, a concepção de trabalho em equipe também muda, pois as atividades deixam de ser fragmentadas, todos são inseridos no processo como um todo e, por isso, precisam conhecer as atividades do outro, tendo, dentro de suas limitações, conhecimentos sobre as competências e especialidades necessárias para exercer também o trabalho de seu colega.

Assim, o trabalhador do conhecimento trabalha com riscos e oportunidades e precisa a aprender a transformar a informação numa estratégia para planejar, supervisionar, programar e gerenciar. Ele deixa de "fazer", para "perfazer", ou seja, não apenas executa, mas pensa sobre o processo, inventa, critica, aprende e apresenta soluções para “o que fazer” e “como fazer”.

Isso representa um grande avanço para o trabalhador, no entanto, requer uma preparação e uma atenção maior da sociedade para que possa se adequar a esse novo modelo e refletir sobre essas mudanças estão ocorrendo.
Por: Bruna Moreira Faria
Abril / 2007